Stats
| Velocidade |
|
0 |
Related Collectible
Lore
Buscador de Relictos
Ainda temos a esperança de ver mais um.
Como chamar alguém que é sangue do seu sangue, herdeiro de uma linhagem ancestral semelhante, mas muito transformado? Alguém que você nunca conheceu muito bem (na verdade, quase nada), mas cujos ecos você ainda vê na lagoa imóvel, no vidro polido?
Ahsa se contenta com o termo "primo".
Eir. Ur. Yul. Xol. Akka, que morreu e cujos ossos evertidos rodeiam Saturno em uma órbita dupla com Titã, onde Ahsa sonha. De todos os nomes de primos, é esse que fisga Ahsa, que a perpassa e estremece, ondulando, no sonho de metano.
Em algum espelho, Ahsa é a nave e Akka, o refugiado. Um acidente de paternidade. Um irmão é este rio, o outro é aquele córrego.
Sendo assim, como Ahsa pode odiar o que ela quase foi?
Ossos primos, ossos familiares, nadando como ela. Na medula, ela sabe: teve sorte.
Akka cantarola em sua morte, e Ahsa sente de uma ponta à outra. Ela se agita no sonho para rolar, à escuta, uma longa série de — (gume de lâmina) [CRISTAL] (pergaminho) — e o fôlego da galáxia ao longo de seu flanco.
Ahsa cantarola de volta, é claro. Ela não consegue evitar, mesmo sabendo que não deveria. Se seu primo chama, dizendo, "Estou aqui! Tem mais alguém aí?", você responde. Você responde.
Akka não responde. Ele está morto. É um impulso-fantasma de neurônios ósseos. Xol não responde. Xita e Sel e Ora e Leis não respondem.
Algum primo saciado responde com uma ameaça vermicular distante; um primo alimentado pela guerra, à distância no mar de gritos. Ahsa se cala, lembra-se de tudo de uma vez. Pressiona a consciência para perto de sua Titã e se acomoda em um som mais suave, mais sutil.
(Em tal sonho, Ahsa não é a última.)